
Conversava com uma amiga, que ainda não foi contaminada pelo mal do século: terapias, sobre fazer a mesma. Chegamos a terrível conclusão que quem começa nunca mais pode largar. Essa dependência ao divã é mais ou menos como entrar para a vida de crimes: você nunca sairá vivo dela. Ou seja, as pessoas chegam no consultório e cada vez vão ficando mais e mais preocupadas com seus problemas e defeitos.
Não bastassem as dificuldades que tinham na hora de marcar a consulta, descobrem que antes de tudo elas próprias são o grande problema. Aí, começa a guerra para mudar-se, mudar as atitudes, tomar florais, calmantes, antidepressivos, e o pior: com toda a tentiva de solucionar sua vida, as pessoas acabam perdendo a própria essência. Elas entram para aprender a lidar com barreiras e se ''auto conhecerem'' e cada vez a bola de neve fica maior ainda. Quando se dão conta, o problema já passou de uma simples neurose, crise de tpm, ou um pequeno acesso de loucura, para o terrível diagnóstico de um trauma vivido aos dois anos, provavelmente a hipótese freudiana: culpa da mãe.
Não quero defender a loucura desatada e alienada, pode ser bom fazer terapia, claro, mas o que anda acontecendo é que o profissional está quase sendo tratado como um guru. Mais ou menos assim: os pós modernos voltam a Grécia antiga, no oráculo de delfos e vão até o templo pedir conselhos aos Deuses. Já imagino daqui um tempo, eu ligo para uma amiga, convidando-a para um cinema e ouço:''já te ligo, vou ver com meu psicológo se ele acha que devo ir''.
Sinais da total dependência estabelecida: quando o terapeuta já é citado em conversas, como se fosse um amigo ou alguém íntimo da pessoa. Da mãe ou do namorado a pessoa não fala, mas do que o psicólogo disse sobre este ou aquele assunto é quase a todo momento. O que mais impressiona são as frases que já ouço tão frequentemente: ''preciso falar com meu psicólogo sobre isso''. Ou seja, ao invés das idas ao consultório serem vista apenas como mais uma forma de ajudar nas adversidades da vida, ela passa a ser uma consulta de certo ou errado, algo feito para remodelar suas maneiras e manias.
Com todo o respeito, pra mim toda essa baboseira de vínculo psicológico é falta do que fazer. Isso sem mencionar o que mais me irrita: o modo insistente como as pessoas tentam se moldar e mudar. No final elas perdem seu verdadeiro eu, fecham-se para o mudno ou tornam-se algo que nunca foram. Isso é triste. Já diria o grande filósofo Friedrich Nietzsche: "só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos."
Quando estou com problemas mesmo, minha maior terapia é sentar numa mesa de bar com um amigos e desabafar, e o melhor, além de ser alguém que me conhece há anos, saberá se estou mentindo ou inventando situações, o que muitas vezes pode não acontece com o profissional.
Nas frequentes decepções amorosas, um amigo será claro e objetivo. O médico falará da forma mais fria e pensada possível: ''tens que avaliar se a possibilidade de continuar com ele vai lhe trazer conforto emocional e que possivelmente não haverá mudanças, mas isso tem que ser trabalhado em ti'', já nosso camaradinha diz: ''deixa de ser idiota e larga esse traste logo que é um atraso na tua vida''. Isso, amigos é a verdadeira terapia.
o grande mal do século e que acomete todo mundo é que todos são insatisfeitos com a vida. mas ao mesmo tempo nos é proibido ter insatisfações. daí parece que a terapia surge como a grande salvadora da pátria.... já foi jesus o salvador, hoje sao os terapeutas e os consultores...
ResponderExcluir:P
tá, tem gente pra quem faz bem, tem gente que se vira sem, nunca dá pra generalizar. cada um tem direito de se apegar ao que quer, né. e tem momentos em que ajuda bastante, mas sei de histórias de psicólogos que detonaram o sujeito também. e acho que tu tem razão num aspecto: algumas vezes a terapia não difere muito de um livrinho de auto-ajuda. e pra isso se paga muito caro.
Mulheres adoram uma terapia. Fato. Não conseguem viver sem um analista ou algo que valha. Precisam falar, se queixar. Tá no dna, imagino.
ResponderExcluirE isso é necessário.
Imagina vocês naqueles dias e sem nenhum apoio "profissional"?
Inferno.
Pô, o governo deveria criar um bolsa divã para as mulheres. Com certeza, diminuiria a tensão de vocês e as discussões do mundo.
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