quinta-feira, 16 de abril de 2009

Bukowski: O velho safado

Pena que morreu. Bêbado, louco, um traste. Porém, realista. Fazia parte do seleto grupo das pessoas verdadeiras, que não precisam mentir ou fingir ser, quem não são. Ou pior: fingir não ter problemas ou cometer erros.


'' Você pode não acreditar nisto, mas há as pessoas que passam pela vida com muito pouca fricção de angústia. Eles se vestem bem, dormem bem. Eles estão contentes com a família deles, com a vida. Eles são imperturbáveis e freqüentemente se sentem muito bem.
E quando morrem é uma morte fácil, normalmente durante o sono. Você pode não acreditar nisto, mas tais pessoas existem,mas eu não sou nenhum deles, oh não, eu não sou nenhum deles. Não estou nem mesmo próximo para ser um deles.
Mas eles estão lá ...e eu estou aqui."

Charles Bukowski
(1920/1994)

2 comentários:

  1. "e em milhões de alcovas,/ os amantes se entrelaçam/ perdidos e doentes como a paz/ não podemos acordar?/ temos de continuar, amigos,/ a morrer enquanto dormimos?"

    melhor citação do Buk, na minha opinião...de muito bom gosto, meus parabéns. Giu

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  2. 14.11.09
    é inútil olhar para o que está fora e um privilégio ver o que está dentro



    eu gostaria de dizer uns versos mansos
    enquanto o dragão feroz devora minha língua
    e o tempo consome a meu templo
    irmão do núcleo do sol eu sou
    viro-me
    e l e n t a m e n t e
    vejo
    um rastro
    de fragmentos bóiando no espaço
    por onde pasto
    despedaço-me e despeço-me
    sempre
    gozando antes da hora da partida
    de forma que urge um grito desesperado
    e talvez para isso sirvam-me estas palavras
    estes rudimentos de linguagem
    símbolos
    incapazes de dizer tudo o que sinto
    a vida é o grande enigma
    enquanto muitos cegos
    só querem saber da esfinge
    e por isso a ignoram
    submersa dentro do templo
    esquecem
    o milagre improvável
    que somos
    e ínfimos os seus cantores
    a cada dia encontro meu canto
    noutros
    me perco
    para encontrar de novo
    o mesmo canto que morrera mim
    e vive nessoutros inda
    em botão
    inda
    no avesso deles
    renascidos
    ânsia outrora minha
    e agora ignorada
    e descubro que não sou eu o outro
    mas o outro é meu
    palavras são inúteis para dizer disso
    símbolos são inúteis para conceber isso
    ouvir o batimento do coração
    talvez seja
    a única linguagem capaz
    de explicar um pouco
    as razões que permitiram
    e ainda permitem
    a existência
    desse enigma
    vida
    implicada
    evaporando-se
    preservando-se
    consubstanciando-se

    http://almozzer.blog.terra.com.br/

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