terça-feira, 22 de março de 2011

Ladies and gentlemen: a má educação virou meio de vida.

Volta e meia me dizem que eu não deveria avacalhar tanto o Brasil, ou que se eu não gosto tenho me mudar. Como sou muito reclamona e as condições como imigrante não me fariam calar a boca, continuarei reclamando.
Meu pai sempre diz que o país é bom (afinal somos muito subdesenvolvidos para ter tsunamis ou usinas radioativas por aqui), as pessoas é que não prestam. Tô com o seu Zogbi e não abro. E que o povo sempre tenta dar um jeito de lucrar, seja tempo, dinheiro ou esforço, isso vocês não podem negar. Ok, "não é todo mundo, Carol", mas uns 80% da população tem essa mentalidade: seja rico, pobre. De dinheiro ou de educação.
Hoje tive um exemplo dos milhares que já pude ter o desabor de participar: indo a um laboratório fazer exames de sangue me deparo com um número exorbitante de pessoas que já mofavam ali a espera de um milagre: eram jovens, senhores, senhoras, crianças, e os destacados mal educados. Primeiro que havia mulheres em pé enquanto homens aparentando uma ótima saude estavam com suas bundas bem sentadas nas cadeiras, e o cavalheirismo manda beijos. E outras situações: senhoras já de idade olhavam impaciente em busca de lugares para sentar, outras se aproveitavam da idade e tentavam furar a fila, mesmo com atendimento prioritário: "só vim pegar um exame". E eu só vim fazer, minha senhora, então aja como uma cidadã civilizada e espere o seu número ser chamado.
Isso sem falar nas mães com seus filhos sem limites, mini-sem-modos, promissores adultos grossos. Uma criança estava deitada na cadeira, picotando um papel, enquanto a sua progenitora espremia cravos das pernas e após sair, para o alívio de quem ouvia aquele pequeno insuportável gritar, deixou todo o lixo em cima do banco. Por essas e por outras que ainda adoto o pensamento Machadiano de Brás Cubas: "nao tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria", do meu caso de ser brasileiro.

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