Quando inventam de fazer um filme baseado em algum livro, procuro ler a obra antes de assistí-lo, o que, na maioria das vezes, acaba me frustrando. Minha última tentativa é ''Ensaio sobre a cegueira'', de José Saramago. A película de Meirelles, baseada na história de Saramago estréia no próximo dia 12, e pelo que andei pesquisando, será mais uma tentativa desastrosa de adaptar o mundo mágico da imaginação, proporcionado pela literatura, para a realidade imutável das telonas. Não que o cinema seja incapaz de um feito desses, mas os roteiristas e diretores têm por regra estragar as histórias impressas.Tenho certeza que o aclamado trabalho do escritor, roteirista, jornalista e poeta português não terá toda a densidade e emoção que encontramos no livro. Mas antes de afirmar minha opinião, aguardarei até conferir a adaptação, no cinema.
Simplesmente é genial a maneira como ele aborda o lixo da miséria humana, a baixeza subterrânea que o comportamento das pessoas chega é algo inimaginável. Tudo bem que trata-se de ficção, mas incrivelmente todas as situações citadas no livro são perfeitamente possíveis de acontecer no mundo real. Quando o ser ''pensante'' está em alguma situação que lhe ofereça riscos, age como um animal, muitas vezes até pior, porque os animais não possuem a nossa suposta inteligência de raciocinar.
Vou mais além: o ser humano é capaz de oferecer até a mãe para salvar a pele. Aquela que lhe carregou por nove meses, teve dores horríveis do parto, lhe deu a vida, cuidou nos momentos mais importantes, abdicou de coisas para sí com a intenção de priorizar o bem estar de seu filho.
Não poderia deixar Charles Bukowski fora da sabatina da raça humana. Ele não era o mais pessimista dos seres que já passou por aqui, mesmo afirmando que quanto menos via as pessoas, mais gostava delas. Como estava falando para um amigo meu, normalmente as pessoas criativas são as inconformadas com a mediocridade da mesmice e decidem inventar algo novo, nem que isso signifique extrapolar. O bohemio alemão foi muito maltratado pelo pai, talvez esse seja um dos motivos por afirmar que ''a raça humana sempre me causou nojo'', quando tratava do comportamento das pessoas. Sua auto definição pode o descrever melhor: "sou apenas um velho com algumas histórias sujas. Escrevendo um jornal, que como eu, poderá morrer amanhã de manhã". Fato.
Mas piores que os atos, conseguem ser os pensamentos e a imaginação das pessoas. No caso do livro, mostrar as consequências do comportamento egoísta e irracional do homem, limita o nível de maldade que habita em cada um. Por isso asseguro que a imagem, pelo menos dessa vez, não valerá por mil palavras. Sem querer ser pessimista,claro. Mas sou humana.
Mais sobre Bukowski:
http://www.conradeditora.com.br/hotsite/buk/index.htm
http://www.spectroeditora.com.br/autores/bukowski/bukowski.php
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